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Modelo brasileiro de assinatura de apps será exportado para toda a América Latina

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Por Fernando Paiva

No ano passado nasceu no Brasil um novo modelo de comercialização de aplicativos móveis, o chamado “Apps Club”. Trata-se de um serviço que disponibiliza mais de 400 apps Android para download ilimitado em troca de uma assinatura semanal ou mensal. A oferta acontece com a marca de cada operadora, através de um aplicativo próprio, e a cobrança é feita na conta telefônica ou descontada do crédito do pré-pago. As quatro grandes teles que atuam no Brasil adotaram o modelo e juntas já somam mais de 3 milhões de assinantes. O crescimento ocorre rapidamente: no começo do ano era 1 milhão. E ao fim do ano deve chegar perto de 6 milhões. Ainda neste semestre, o Apps Club será levado para as demais operadoras da América Móvil e da Telefônica na América Latina. E há negociações em curso com teles da Europa, da África e do Oriente Médio. O que pouca gente sabe é que a inventora desse modelo é a brasileira Bemobi, responsável pela gestão da plataforma, pela escolha do catálogo e pela divisão da receita com as operadoras e os desenvolvedores.

O CEO da Bemobi, Pedro Ripper, explica que a ideia surgiu ao identificar que faltava no mundo dos apps a opção de assinatura de conteúdo. “Todas as mídias de massa surgidas nos últimos 50 anos convivem com três modelos: gratuito com publicidade, transacional e assinatura. Um não mata o outro. Em apps faltava o modelo de assinatura”, relata.

O grande feito da empresa foi ter conseguido construir um formato que agradasse tanto aos desenvolvedores quanto às operadoras. Para convencer os primeiros, argumentou que o Apps Club seria uma maneira de conquistar os consumidores de países emergentes como o Brasil, onde a maioria tem linhas pré-pagas e não possui cartão de crédito, o que torna o carrier billing essencial. Ele cita o fato de o Brasil ser o segundo país que gera a maior quantidade de downloads na Google Play mas não figurar na lista dos dez maiores geradores de receita. Ou seja: sem ter como pagar, o usuário brasileiro opta apenas pelos apps gratuitos. “O próximo bilhão de usuários de smartphones será diferente do primeiro bilhão. São pessoas que não falam inglês, não têm cartão de crédito e têm menos dinheiro para gastar”, descreve Ripper. Neste cenário, uma solução como o Apps Club acaba gerando uma receita incremental para os desenvolvedores. Além disso, o catálogo do Apps Club é composto apenas pelos títulos que são líderes em cada categoria. A ideia é não passar muito de 500 títulos disponíveis. Isso também é atraente para os desenvolvedores, pois suas criações se tornam mais facilmente encontráveis e enfrentam menos competição. Outro ponto importante: todos os apps em catálogo são embrulhados por um DRM feito pela Bemobi, para evitar que sejam copiados e também para que possam ser bloqueados quando o usuário deixar de ser assinante. O desenvolvedor não tem nenhum trabalho extra de programação. E o processo de publicação é único para todas as teles: basta entregar o app para a Bemobi uma vez.

Na divisão de receita entre teles, Bemobi e desenvolvedores, estes ficam com uma participação menor do que nas lojas de aplicativos tradicionais. Mesmo assim, alguns deles estão gerando mais receita com o Apps Club que com a Google Play, garante Ripper. E com uma vantagem: é uma receita recorrente, graças ao fato de ser um modelo de assinatura. A parte que cabe aos desenvolvedores é dividida de acordo com a quantidade de dias que cada app foi aberto no mês, considerado um modelo mais justo do que se a divisão fosse por download, pois premia os apps que são efetivamente mais usados. Cerca de 200 desenvolvedores do mundo todo gostaram da proposta e aceitaram fazer parte do catálogo, que inclui diversos títulos de sucesso, como Runstastic, Monument Valley, Galinha Pintadinha etc.

As operadoras, por sua vez, entenderam que esse novo modelo era uma forma de entrarem em um mercado do qual não participavam. Lá fora, algumas tentaram concorrer sozinhas, montando lojas de apps por conta própria, mas não conseguiram competir e acabaram desistindo, como a Verizon e a KDDI. Com o Apps Club não precisam se preocupar com a gestão do conteúdo, mas ainda mantêm a sua marca em destaque: o catálogo é o mesmo, mas cada loja leva o nome da sua operadora. “As teles entenderam que não adiantava brigar entre elas. E para o desenvolvedor é melhor botar o seu conteúdo em uma plataforma que sirva para todas as teles, em vez de replicar o trabalho para cada operadora”, explica Ripper.

Consumidor

Por fim, há vantagens para o consumidor. Por um preço relativamente barato, ele tem acesso a um catálogo de apps que custariam mais de R$ 5 mil se fossem baixados separadamente. Mas não há apenas apps pagos. Há também aqueles que operam com o modelo freemium na Google Play, mas com as vendas in-app liberadas na versão para o Apps Club. Da mesma forma, aqueles que são gratuitos mas com publicidade na Google Play são oferecidos sem propaganda no Apps Club. Ou seja, há sempre um benefício para o assinante do serviço. E todos os títulos têm pelo menos quatro estrelas na avaliação na Google Play, salvo raras exceções. Resultado: em fevereiro, cada assinante ativo pagante do serviço baixou em média 13 aplicativos. Em uma atualização futura, o Apps Club passará a indicar quanto o cliente está economizando ao usar aqueles aplicativos pelo serviço em vez de baixá-los pela Google Play, conta o executivo.

Histórico

A Bemobi nasceu como um desdobramento da M4U, depois que 80% desta foi vendida para a Cielo e para a Valid. Trata-se da antiga área de conteúdo móvel da M4U, que vinha de uma histórico de oferta de conteúdo white label para as operadoras, desde os tempos de ringtones monofônicos. Agora, rebatizada como Bemobi e com Pedro Ripper no comando, a estratégia mudou: em vez de ter um monte de serviços em uma ou duas operadoras, a proposta é ter poucos serviços no mundo todo. E a grande aposta é o Apps Club, que já representa metade da sua receita anual. “Nossa ambição é sermos os melhores do mundo nisso”, conclui.